:: Por esta razão todos os homens a partir dos 50 anos deverão ser observados por rotina, uma vez por ano, sendo os homens com parentes próximos que tenham sofrido de CP aconselhados iniciar essa rotina aos 40 anos.
:: A observação de rotina deverá ser feita mesmo que não existam sintomas, muitas vezes as doenças, sobretudo o CP aparece e evolui silenciosamente.
Do ponto de vista da eficácia do diagnóstico e apesar dum extraordinário progresso tecnológico, a história do doente, a anamenese e o exame físico e nomeadamente o toque rectal, são fundamentais.
:: O toque rectal, TR, é o exame mais comum e obrigatório, dando de imediato informação sobre o tamanho, rigidez, superfície, mobilidade e configuração da próstata.
:: Para além do interrogatório poderão ser usados índices de sintomatologia que conduzem a uma avaliação por “score” do desconforto da doença e da qualidade de vida do paciente.
:: Os mais importantes meios de diagnóstico, das doenças prostáticas, são: as análises de sangue, incluindo o PSA, e urina, a ecografia do aparelho urinário, incluindo a eco transrectal da próstata, e a urofluxometria com medição do resíduo urinário.
:: Com estes meios poderemos colher informação suficiente para distinguir qualquer das doenças mais frequentes da próstata, ficando a conhecer parâmetros prostáticos como por exemplo o volume, a textura ecográfica ou o grau de obstrução causado pela doença.
:: No que diz respeito à HBP estes dados poderão ser suficientes para o diagnóstico e proposta terapêutica, mas para melhor esclarecimento das outras patologias teremos que usar ouros meios.
:: Na suspeita clínica de CP, isto é, na existência de nódulo palpável ao toque, PSA elevado ou com doseamentos evolutivamente crescentes, pela observação na eco de áreas suspeitas periféricas ou ainda pela simultaneidade destes dados, teremos que realizar obrigatoriamente biópsias prostáticas.
:: Quando se confirma a existência de CP é absolutamente fundamental determinar o estádio da doença para que se possa estabelecer uma terapêutica correcta, teremos assim, para além dos dados da biópsia, de verificar se existe disseminação da doença através de estudos de imagem como a tomografia axial computorizada, TAC, ou ressonância magnética de imagem, RMI, ou estudos isotópicos do esqueleto.
:: No caso de suspeição de prostatite deverão ser doseados parâmetros analíticos de infecção, VS e PCR e ainda a evolução do PSA em relação com a terapêutica.
Hipertrofia Benigna da Próstata
:: Para tratamento da HBP dispomos hoje de uma larga possibilidade de opções.
Em primeiro lugar dispomos de terapêuticas médicas e cirúrgicas.
:: No campo do tratamento médico, dispomos de fármacos de três grupos farmacológicos, a saber: Fitoterapêuticos, hormonoterapêuticos e alfa bloqueantes.
:: A fitoterapia é a mais antiga. Conhecem-se desde a antiguidade ervas com propriedades curativas dos males prostáticos.
:: Ainda muito usados, os extractos de plantas, estão no entanto em progressivo desuso por terem o mesmo efeito dos placebos. Os mais usados são, o Pygeum Africano, o Hypoxis Ruperi, a Curcubita Pepo, a Seroa Repens e a Equinacea Púrpura.
:: Estes medicamentos de efeito reduzido pretendem descongestionar o órgão pretendendo ter propriedades anti-inflamatórias.
:: Com o intuito de reduzir o volume prostático usam-se os fármacos que actuam no sistema hormonal sobretudo na produção de testoesterona, os inibidores da 5 alfa redutase, os inibidores da aromatase e por vezes os agonistas LHRH e os anti-androgénios, sendo estes últimos na pratica usados principalmente no tratamento do CP.
:: Neste grupo farmacológico o mais usado é a Finasterida, inibidor da 5 alfa redutase, mas que desde já sabemos que apenas em média reduz o volume prostático em 20%.
:: A Finasterida tem como acção secundária uma diminuição acentuada da libido em cerca de 45 % dos doentes assim tratados, estando assim indicado em prostatas grau I e II, até 40 gr, em doentes sem preocupação sexual.
:: O terceiro grupo de drogas é constituído pelos alfa bloqueantes. Estes fármacos actuam nos alfa receptores, diminuindo os sintomas e melhorando o fluxo não tendo qualquer acção sobre o volume da próstata. Os mais utilizados são, a Terasosina, a Doxazosina, a Alfazosina e a Tamsolusina.
:: Chamamos a atenção para o facto de nenhuma terapêutica médica ser curativa da HBP e mesmo a associação mais frequente de Finasterida com um alfa bloqueante ter uma eficácia sintomática apenas durante uns 3 a 4 anos. Um enorme número de doentes acabará na necessidade de tratamento cirúrgico.
:: Múltiplos estudos sobre custo benefício sobre estes tratamentos concluem que, se somarem os custos dos medicamentos aos da quase inevitável cirurgia, os custos totais acabam duplicados.
:: O tratamento cirúrgico da HBP consiste essencialmente na remoção da zona hipertrofiada da próstata existindo três técnicas alternativas, a cirurgia aberta, a ressecção endoscópica, RTU, e técnicas ditas minimamente invasivas ou menos cruentas.
:: A cirurgia aberta tem indicação formal em próstatas de grandes dimensões, a RTU e a electovaporização em próstatas com volumes até 60 a 80 cc dependendo muito da experiência do cirurgião
:: Existem ainda, como referimos outras técnicas, a fotoevaporação com laser, o HIFU, necrose com alta frequência, etc.
:: A escolha do tratamento cirúrgico dever-se-á balizar por diversos critérios:
- Saber se as técnicas são ou não efectivas. Nos últimos anos assistimos à divulgação comercial de tratamentos “miraculosos” que não o são;
- A idade do doente;
- A existência de patologias associadas, diverticulos vesicais cálculos, ou patologia doutros órgãos ou sistemas;
- Custos;
- Experiência do cirurgião;
- Impossibilidade de transfundir sangue.
Cancro da Próstata
:: Como já referimos o carcinoma da próstata depois de diagnosticado terá de ser avaliado no seu estádio de desenvolvimento.
:: Poderemos assim determinar clinicamente, com uma margem de erro, não desprezível, se um tumor está localizado ou confinado ao órgão ou se já se encontra disseminado, o que desde logo irá condicionar o tratamento.
:: No tratamento do CP dispomos essencialmente de três opções, a cirurgia, a radioterapia a hormonoterapia e a crioterapia.
:: No CP localizado a cirurgia é de longe a melhor escolha com taxas de cura muito apreciáveis. Sempre que não haja indicação para cirurgia a radioterapia externa conformal e modulada e a braquiterapia de alta taxa de dose são técnicas com bons resultados. A braquiterapia de implantação de sementes radioactivas tem resultados mais incertos e as mesmas consequências das outras técnicas, disfunção eréctil em cerca de 60 % dos casos e numa pequena percentagem incontinência urinária.
:: Em casos de doentes idosos ou com doença disseminada usa-se a terapêutica hormonal, com anti androgénios e agonistas LHRH, castração medicamentosa, ou anti androgénios e castração cirúrgica.
:: Nos casos de ineficácia terapêutica ou metastização poder-se-á fazer quimioterapia.
Prostatites
:: Por fim a terapêutica da prostatite, aplicada após rigoroso diagnóstico bacteriológico, é essencialmente feita com antibioterapia, repouso e por vezes drenagem vesical. Um tratamento deficiente na fase aguda pode resultar na cronicidade da doença.
Para um despiste das doenças prostáticas todos os homens, a partir das idades já mencionadas, deverão sujeitar-se a uma observação clínica, seja de início pelo seu generalista assistente seja por um urologista.
Dr. Joshua Ruah
Médico Urologista do British Hospital Lisbon XXI
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