Doença de Hansen ou Lepra

por Drª Maria Raquel Vieira e Dr. Jorge Cardoso

A doença de Hansen ou Lepra é conhecida desde a Antiguidade, sendo associada a mutilação, desfiguramento e contagiosidade. O agente, o Mycobacterium leprae, a primeira bactéria identificada como causando doença no homem, foi isolada em 1873 por G. A. Hansen. Afecta principalmente a pele e os nervos, pelo que tem sido preferencialmente tratada pelos médicos dermatologistas; contudo, a tendência actual é para a integração dos doentes nos Serviços de Saúde Gerais, principalmente nos países com elevada endemicidade.

O tratamento farmacológico com Dapsona e derivados surgiu no final dos anos 40 do século XX; porém, o tratamento mais eficaz constituído pela  associação de 2 ou 3 fármacos - rifampicina, clofazimina e dapsona -  só foi instituído a partir dos anos 80. Estas associações, além da eficácia, têm poucos efeitos acessórios, baixas taxas de recidiva e não são conhecidas resistências.
Os objectivos prioritários em termos de Saúde Pública são a detecção precoce de novos casos e a instituição da terapêutica, por período de tempo adequado às diferentes formas clínicas da doença.
Actualmente, a lepra é uma doença curável quando diagnosticada e tratada precocemente.
A terapêutica múltipla tem contribuído para a redução da prevalência desta doença a nível Mundial e para a meta estabelecida pela OMS : a eliminação da lepra como problema de saúde pública (prevalência estimada < a 1 caso por 10000 habitantes).
Segundo os dados mais recentes da OMS, a prevalência global da lepra em 2009 é de 213 036 e o número de novos casos em 2008 foi de 249 007. Três países: Brasil, Nepal e Timor-Leste, ainda não atingiram, em termos de prevalência, os objectivos da OMS. Os doentes tratados necessitam de seguimento médico para prevenção de sequelas e detecção precoce de eventuais recidivas. Considerando a actual facilidade de fluxos migratórios humanos, é previsível o aparecimento de casos importados em países de baixa endemicidade.
O Dia Mundial dos Leprosos, que se comemora em 31 de Janeiro, foi instituído em 1954 pela ONU, na sequência de uma petição de Raoul Follereau.  Mantém-se oportuna e actual a sua comemoração, de forma que a lepra não seja esquecida, mesmo nos países, como Portugal, onde não constitui um problema de Saúde Pública, mas continua a ser uma realidade.